IA Sem Hype: Porque Infraestrutura (e Não o Modelo) Define o Futuro da Inteligência Artificial
Existe uma obsessão no mercado por modelos de IA cada vez maiores, mais caros e mais “poderosos”. GPU virou fetiche. Modelo virou manchete.
A verdade? É simples e pouco glamourosa: a IA não começa no modelo. Começa na infraestrutura.
Antes de qualquer empresa rodar IA de forma séria e sustentável, ela precisa responder perguntas básicas que raramente aparecem nos anúncios de IA generativa:
- Meus dados estão organizados?
- Consigo escalar processamento sem quebrar tudo?
- Tenho previsibilidade de custo?
- Sei observar, auditar e controlar o que está rodando?
Sem essa fundação, o que existe não é IA. São experimentos caros e insustentáveis.
Thiago Caserta
Head de Plataforma e Engenharia na Magalu Cloud, onde lidera as iniciativas de plataformas de cloud, serverless e inteligência artificial.
Consumir vs. Construir: Onde Começa a Jornada de IA
Para quem está começando, é fundamental entender: o impacto real da inteligência artificial reflete, antes de tudo, o grau de organização, governança e disponibilidade dos dados.
No Brasil, muitas organizações ainda estão consolidando sua estratégia de dados, estruturando pipelines, definindo governança e garantindo qualidade antes de escalar modelos mais complexos. Isso define a diferença entre consumir IA (usar modelos prontos, como um ChatGPT, Claude, Gemini) e construir IA (desenvolver modelos customizados para problemas de negócio).
A base para construir IA de forma sustentável é a engenharia de plataforma: infraestrutura confiável, ambientes escaláveis, automação operacional, observabilidade e governança.
É por isso que, antes de falar de IA como produto, faz muito mais sentido falar de Kubernetes e DBaaS. O Kubernetes padroniza workloads, escala processamento e isola ambientes. O DBaaS garante dados disponíveis, consistentes e com menos carga operacional. Essa combinação permite construir pipelines de dados robustos e executar workloads de processamento intensivo, criando aplicações AI-ready antes mesmo de pensar em modelos gigantes.
E isso, mais uma vez, não é Hype. É engenharia.
Treinamento vs. Inferência: O Impacto Não é Uniforme
Um dos maiores equívocos do mercado é a crença de que toda IA exige GPUs de ponta.
A GPU é fundamental quando faz sentido. Mas a maioria dos casos reais de IA em produção roda perfeitamente em CPU, especialmente em tarefas como classificação de dados, análise e sumarização de texto, extração de informação e inferência em escala moderada.
IA não pressiona os data centers de forma uniforme. O impacto se divide em dois workloads com requisitos completamente diferentes:
Workload | Objetivo | Requisitos de Infraestrutura |
Treinamento | Criar e refinar o modelo | Grandes blocos de GPU, alta densidade energética, janelas concentradas de processamento |
Inferência | Usar o modelo treinado em produção | Baixa latência, alta disponibilidade, previsibilidade de custo, proximidade com o usuário |
O treinamento é a fase de “aprendizado”, onde o modelo processa volumes massivos de dados para identificar padrões e criar regras, exigindo um poder computacional colossal de GPUs (como treinar um modelo de visão computacional para reconhecer veículos em milhares de fotos). Já a inferência é a fase de “uso”, onde o modelo já treinado recebe um dado novo e gera uma resposta instantânea, demandando baixa latência e proximidade com o usuário (como uma câmera de pedágio identificando uma placa em milissegundos para liberar a cancela).
Enquanto o treinamento é um evento intensivo e pontual para “ensinar” a IA, a inferência é a execução contínua e ágil que entrega o valor real no dia a dia.
No contexto brasileiro, workloads de inferência já são mais comuns em produção do que treinamento em larga escala. A eficiência está em escolher a arquitetura correta para cada caso.
Na Prática: Como a CarbigData Otimizou Inferência com NVIDIA L40
Teoria é bonita. Resultado é melhor.
O case da CarbigData na Magalu Cloud ilustra como a escolha arquitetural correta otimiza workloads de IA. A empresa lida com workloads intensivos de visão computacional e deep learning, e precisava de um salto de performance e eficiência.
A solução não foi simplesmente adicionar mais hardware. Foi consolidar a infraestrutura em GPUs NVIDIA L40, baseadas na arquitetura Ada Lovelace (presente nas GPUs mais modernas da NVIDIA, com foco em IA)
Por que a L40 faz sentido para inferência de visão computacional:
- Otimização de Precisão (FP8): A arquitetura Ada Lovelace introduziu suporte a FP8 (ponto flutuante de 8 bits), que dobra a taxa de transferência de inferência comparado a FP16, mantendo a precisão para a maioria dos modelos de visão computacional. Isso permite que a GPU processe o dobro de dados por ciclo.
- Performance e Eficiência: A L40 oferece até 2x a performance da geração anterior (Ampere) em workloads de computação visual, com TDP de 300W, ideal para ambientes de data center que buscam maior densidade de processamento por rack.
Os Resultados
Ao revisar sua arquitetura, a Carbigdata consolidou cinco GPUs antigas em apenas uma GPU L40, alcançando:
- Redução de 80% no footprint de hardware
- Triplicação do volume de processamento de dados
- Redução substancial do custo operacional por ponto de coleta
A arquitetura implementada demonstra maturidade técnica: Infraestrutura como Código (IaC) via Terraform para provisionamento e orquestração, garantindo agilidade e consistência. A estratégia de armazenamento em camadas também é ponto-chave:
Camada | Uso | Requisito Técnico |
Block Storage | Armazenamento temporário durante processamento ativo | Alta performance e baixa latência |
Object Storage | Armazenamento seguro pós-processamento (retenção de 12 meses) | Escala e custo-benefício para longo prazo |
O Futuro Distribuído: Data Center como Orquestrador
Existe uma visão provocativa no mercado de que smartphones e edge vão assumir parte do processamento, descentralizando a computação.
É uma perspectiva válida, mas aponta mais para uma redistribuição da computação do que para substituição dos grandes data centers.
O avanço da IA embarcada em dispositivos é real e tende a crescer, especialmente para inferência local, personalização e respostas em tempo real. Porém, treinamento de modelos, processamento de grandes volumes de dados, governança, segurança e orquestração de sistemas complexos continuam exigindo ambientes altamente controlados, escaláveis e confiáveis.
O futuro é complementar. A inteligência se distribui entre dispositivos, borda e nuvem, cada camada cumprindo um papel específico. Nesse cenário, os data centers deixam de ser apenas centros de processamento e passam a atuar como núcleo de coordenação da inteligência, garantindo que modelos, dados e aplicações funcionem de forma integrada, segura e sustentável.
Soberania de Dados: O Imperativo de 2026
Tão importante quanto a capacidade computacional é onde esse processamento acontece.
A tendência de Geopatriation (ou Soberania de Dados) é tema central para 2026. A localização da infraestrutura se torna requisito técnico e regulatório.
Rodar workloads intensivos em dados dentro de uma infraestrutura local traz vantagens que vão além da tecnologia:
- Previsibilidade de Custo: Precificação em Real protege contra oscilação cambial e instabilidade tarifária, garantindo maior controle sobre o gasto operacional.
- Conformidade Regulatória: Facilita atendimento a leis
como a LGPD, mantendo dados sensíveis dentro do território nacional. - Menor Latência: Proximidade física com usuário e fonte de dados, essencial para workloads de inferência.
Em um cenário onde dados viram ativo estratégico, soberania deixa de ser discurso e se torna requisito técnico para continuidade e expansão do negócio.
O Futuro da IA Pertence a Quem Começa pela Base Certa
A história da Carbigdata é prova de que eficiência em IA não vem de “mais máquina”. Vem de melhores escolhas arquiteturais.
IA não é ponto de partida. É consequência de dados bem organizados, de infraestrutura confiável e de decisões técnicas maduras.
O futuro da IA na cloud não é hype. É plataforma. Clouds deixam de ser apenas fornecedores de infraestrutura e passam a se tornar plataformas inteligentes, com mais automação e infraestrutura que se adapta ao workload.
Quem começa pela base certa gasta menos, erra menos, aprende mais rápido e escala melhor.
Sem hype.
Sem atalhos.
Só engenharia bem feita.
Referências
- NVIDIA. NVIDIA L40 GPU for Data Center.
- NVIDIA. Selecting the Right NVIDIA GPU for Virtualization. (Maio/2025)
- Crusoe. 2026 AI Infrastructure Trends Report.
- Data Center Knowledge. Key Cloud Trends That I&O Leaders Should Leverage in 2026. (Dezembro/2025)
- Magalu Cloud. Como a Carbigdata otimiza sua infraestrutura com a Magalu Cloud.
- Musoni, M; Mtuze, SS. An Assessment of the Key AI Sovereignty. (2026)
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